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O
jovem não respeita a sabedoria
O velho caçador de
raposas - considerado o melhor da região - resolveu finalmente se
aposentar. Juntou seus pertences e resolveu partir em direcção ao
sul do país, onde o clima era mais ameno.
Entretanto, antes
que terminasse de empacotar suas coisas, recebeu a visita de um
jovem.
- Quero aprender
suas técnicas, disse o recém-chegado. Em troca, compro a sua loja,
a sua licença de caçador e ainda pagarei por todos os segredos que
o senhor conhece.
O velho concordou:
assinaram o contrato, e ensinou ao rapaz todos os segredos da caça
à raposa. Com o dinheiro recebido, comprou uma bela casa no sul,
onde passou o inverno inteiro sem precisar preocupar-se em juntar
lenha para calefação, já que o clima era muito agradável.
Na primavera,
sentiu saudades de sua aldeia e resolveu voltar para ver os seus
amigos.
Lá chegando,
cruzou no meio da rua com o jovem que, alguns meses antes, resolvera
pagar uma fortuna por seus segredos.
- E então?
perguntou. Como foi a temporada de caça?
- Não consegui
pegar uma só raposa.
O velho ficou
surpreso e confuso:
- Mas você seguiu
meus conselhos?
Com os olhos fixos
no chão, o rapaz respondeu:
- Bem, na verdade não
segui. Achei que seus métodos estavam ultrapassados e terminei
descobrindo - por mim mesmo - uma melhor maneira de caçar raposas.
Recordando
o passado
Um velho sábio chinês estava caminhando por um campo de neve
quando viu uma mulher chorando.
"Por que choras?", perguntou ele.
"Porque me lembro do passado, da minha juventude, da beleza que
via no espelho, dos homens que amei. Deus foi cruel comigo porque me
deu memória. Ele sabia que eu ia sempre recordar da primavera de
minha vida e chorar."
O sábio ficou contemplando o campo de neve, com o olhar fixo em
determinado ponto. A certa altura, a mulher parou de chorar:
"O que estás vendo aí?", perguntou.
"Um campo de rosas", disse o sábio. "Deus foi
generoso comigo porque me deu memória. Ele sabia que, no inverno,
eu poderia sempre recordar a primavera e sorrir".
Paulo
Coelho
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