Super Pais!

Os jovens de hoje vivem com os pais durante mais tempo, casam mais tarde e decidem ter filhos quase no limite dos vinte. As prioridades mudaram, e os novos casais adiam a sua paternidade em prol da carreira profissional.

 

Os sonhos agora giram à volta do sucesso no trabalho, de uma carreira ascendente, de uma promoção. O objectivo é serem executivos de sucesso, detentores de um nível de vida elevado, de preferência alcançado num curto espaço de tempo.

A questão coloca-se até quando adiar a vinda das crianças? Cada casal decide de acordo com as suas ambições e expectativas de vida. Longe vai o tempo em que ter filhos era a principal prioridade, e o estilo de vida que lhes poderiam proporcionar era um problema a resolver mais tarde, o importante era eles virem. Hoje o ideal é nada acontecer fora de ordem, é necessário primeiro planear cada passo, ou seja obter formação, de preferência superior, encontrar estabilidade profissional e pessoal e só depois, muito depois pensar na vinda das crianças.

Hoje a idade média com que se inicia a maternidade, 27 anos, aumentou dois anos numa década. E muitos dos pais portugueses viram o seu primeiro filho quando já tinham passado a casa dos 30. O retardamento da maternidade deve-se sobretudo à forma de se viver hoje em dia, a competitividade existente, o leque de actividades que se podem fazer, como frequentar um Master, apostar numa carreira internacional, viajar, são tudo factores que proporcionam uma imensa satisfação pessoal vs realização profissional mas que não contribuem para o crescimento familiar.

Quando se toma a decisão de não adiar por mais tempo a vinda das crianças é muito importante encontrar o ponto de equilíbrio entre a carreira e as responsabilidades familiares. O novo estilo de vida poderá possibilitar por um lado mais qualidade na assistência aos filhos, devido ao maior grau de formação que se tem e se transmite, e por outro lado proporcionar menos horas de dedicação e atenção o que pode ser preocupante.

Muitos casais nem sempre são bem sucedidos em encontrar o tal ponto de equilíbrio e encontram-se muitas vezes, profissionais bem sucedidos mas divorciados ou, então bons pais de família, bons maridos mas sem perspectivas profissionais.

O tempo para estar com os filhos é um bem escasso,  originando aos pais sentimentos de culpa por não darem à criança tudo o que ela necessita e receio por poderem serem trocados por aqueles que no fundo são com quem as crianças passam mais tempo e consequentemente melhor as conhecem, como por exemplo os avós, empregadas ou os educadores.

A renuncia à carreira por parte de um dos membros do casal poderia ser uma das possíveis soluções para se encontrar a estabilidade familiar mas pode acarretar sentimentos de frustração o que seria prejudicial para toda a família.  Os que tem uma carreira profissional de que não abdicam, não se tornam em maus pais, mas sim em verdadeiros super homens, pois tem que zelar pelos filhos, pela carreira e pela harmonia familiar.

Conseguir conciliar a paternidade com o trabalho deverá ser uns dos maiores desafios que qualquer jovem casal hoje em dia ambiciona conseguir com sucesso, se bem que difícil, não será impossível lidar com ambas as situações, não devendo por isso haver necessidade de se tomar uma opção em detrimento de outra. O importante é conseguir-se alcançar harmonia.

Algumas empresas Portuguesas têm um papel importante na ajuda da harmonia familiar. Têm como medida estratégica facilitar o dia a dia dos colaboradores que sejam pais, estando desta forma a contribuir para o aumento da produtividade e redução do absentismo. Ter infantário e enfermaria dentro da empresa, possibilitar o trabalho em casa e reduzir a carga horária são alguns dos exemplos que se podem encontrar.

Quando a empresa não tem possibilidade de proporcionar este tipo de vantagens, existem outros trunfos importantes, como por exemplo, ter horários na família bem sincronizados, muita organização e como tudo na vida muita força de vontade para que as coisas resultem.

AUTOR

Alexandre Moreno
Consultor HIRE & TRUST  

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