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Levar
os doutorados para as empresas
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Sobretudo
os jovens entre os 25 e os 29 anos. Um activo estratégico por
aproveitar.
Jorge
Nascimento Rodrigues, editor da
janelanaweb.com, e Manuel Posser de Andrade *, Fevereiro de 2004
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O
País tem uma geração de doutorados entre os 25 e os 29 anos que
representa um activo estratégico e uma vantagem em termos
empresariais ainda por aproveitar. No quadro da União Europeia
alargada ao Leste, Portugal é o quinto país com a permilagem
mais elevada de doutorados naquela faixa etária, muito próxima
da do Reino Unido, similar à da Áustria e quase duas vezes
superior à de Espanha. Como outra nota distintiva, o nosso país
ocupa, também, a quinta posição, na Europa, em termos de maior
percentagem de mulheres nesse segmento de doutorados jovens
(depois de Chipre, Letónia, Estónia e Itália). No entanto, países
com uma população inferior à portuguesa, como a Finlândia e a
Suécia, lideram o campeonato no número de doutorados por mil
habitantes no segmento entre os 25 e os 29 anos (ver
quadro).
Contudo,
paradoxalmente, o nosso país revela uma posição muito recuada
quando se avalia a permilagem de doutorados em relação à população
activa (3,27 por cada mil activos), sendo 62% da média europeia e
estando atrás da posição espanhola ou austríaca. A distância
é arrasadora em relação à Finlândia (10,62 por cada mil
activos) e Suécia (9,26 por cada mil activos), que com o Japão,
lideram o campeonato mundial.
O
País tem uma geração de doutorados entre os 25 e os 29 anos que
representa um activo estratégico e uma vantagem em termos
empresariais ainda por aproveitar. No quadro da União Europeia
alargada ao Leste, Portugal é o quinto país com a permilagem
mais elevada de doutorados naquela faixa etária, muito próxima
da do Reino Unido, similar à da Áustria e quase duas vezes
superior à de Espanha.
Portugal
enfrenta, assim, um triplo problema: continua a ter falta de
doutorados (na população activa), apesar do esforço realizado
nos últimos dez anos (de pouco mais de 600 bolsas de doutoramento
em curso no final do ano 1990-91 para mais de 3100 em bolsas de
doutoramento e pós-doutoramento em curso no final de 2001); é
inexpressiva a presença de doutorados nas empresas; e dispõe de
um segmento jovem de doutores (quase três milhares) que está
sub-aproveitado em termos empresariais e institucionais.
A
massa de doutorados em Portugal deverá atingir, hoje, os 18 mil,
segundo a OCDE, na quase totalidade afectos à investigação nas
universidades e instituições. O esforço de formação destes
quadros foi assinalável, particularmente entre 1997 e 2001, com
uma taxa de crescimento de novos doutores na ordem dos 12% ao ano,
a mais elevada em todo o mundo, segundo a OCDE, inclusive superior
à da Suécia. Cerca de 7800 bolsas foram financiadas desde 1990
para doutoramentos e pós-doutoramentos e verifica-se que mais de
75% dos doutoramentos são realizados em Portugal.
No
entanto, a transferência deste activo de conhecimento para as
empresas é diminuta. O aproveitamento da legislação criada em
finais de 2000 para a inserção de mestres e doutores em empresas
foi muito baixo - segundo Ramôa Ribeiro, presidente da Fundação
para a Ciência e Tecnologia (FCT), organismo financiador, apenas
foram registados 250 casos, até à data. Esta legislação
continua à disposição dos empresários e gestores, com o
concurso aberto em permanência na Agência de Inovação (na Web
em www.adi.pt/3420.htm). Segundo aquele responsável, as empresas
com preocupações de inovação deveriam caminhar para ter um
"chief scientific officer" recrutado nesta massa de
doutorados existente - e particularmente entre os jovens - e os
gestores, em geral, deveriam avaliar a contratação deste tipo de
quadros qualificados como um activo de capital intelectual,
inclusive cada vez mais com valorização em termos bolsistas para
as empresas cotadas.
Os
esforços para combater esta lacuna portuguesa vão, agora, ter
como companhia o lançamento de um novo diploma para o fomento da
realização de doutoramentos em meio empresarial, apontando-se
para um primeiro lote de atribuição de 200 bolsas ainda em 2004,
segundo a FCT. Segundo o Programa Operacional da Sociedade do
Conhecimento, designado por "Futuro 2010", estarão
previstas 500 bolsas para mestrado, doutoramento, pós-doutoramento,
especialização técnica e mobilidade entre o sistema científico
e as empresas. Também, o Programa Operacional de Ciência e Inovação,
baptizado de "Ciência 2010", pretende, até 2006,
financiar cerca de 1000 estágios em empresas a alunos do ensino
superior.
Refira-se
que a presidência irlandesa da Comissão da União Europeia,
durante este primeiro semestre de 2004, pretende dar particular
atenção à questão da fixação e rentabilização deste tipo
de quadros qualificados com doutoramentos, mestrados e pós-graduações
- dos 2,4 milhões de europeus nestas condições, 400 mil na área
de ciências e tecnologia estão em permanência nos Estados
Unidos (o que permite a este país além Atlântico dispor de 2,1
milhões de quadros graduados nestas condições). A presidência
irlandesa prepara para 25 e 26 de Abril uma reunião ministerial
sob o tema "Caminhos para a Inovação para uma Europa
Competitiva".
*
com Ruben Eiras
Doutorados
na população entre os 25 e os 29 anos
(permilagem em 2001) |
| País |
Total
de doutorados |
Permilagem |
%
de Mulheres |
| Suécia |
3388 |
5,8 |
39,2 |
| Finlândia |
1797 |
5,8 |
45,8 |
| Alemanha |
24796 |
5,5 |
35,3 |
| Reino
Unido |
14147 |
3,6 |
39,5 |
| Portugal |
2791 |
3,4 |
50,7 |
| Áustria |
1871 |
3,4 |
37,1 |
| União
Europeia |
74908 |
2,9 |
39,6 |
Países
de Leste
aderentes e candidatos |
7.555 |
1,3 |
41,1 |
| Fonte:
Statistics in Focus, Eurostat |
www.janelanaweb.com
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